A Copa começa oficialmente para os brasileiros na próxima terça-feira (15),
quando a Seleção de Dunga enfrenta a Coreia do Norte. Mas, para a economia, o
movimento começou cedo e, obviamente, deve se intensificar ao longo do torneio.
A paixão nacional por futebol tem aumentado consideravelmente o faturamento de
alguns segmentos, como o de TVs e a indústria gráfica. Com o início do evento,
outros setores devem sentir o efeito do sentimento verde e amarelo que toma
conta do país, como os bares e restaurantes.
"A Copa do Mundo na indústria gráfica movimento essencialmente o segmento de
produtos promocionais, que envolve materiais licenciados, encartes, tabelas dos
jogos, álbuns de figurinhas, publicações especiais, folheto diversos etc.",
afirma Fábio Arruda Mortara, presidente da seção paulista da Abigraf -
Associação Brasileira da Indústria Gráfica. O segmento de artigos promocionais,
que é um dos primeiros beneficiários do efeito Copa – já que tem de deixar tudo
pronto para quando o evento começar – prevê um crescimento de 10% a 15%, que
deve representar um aumento de cerca de 2% no faturamento de toda a indústria
gráfica. "Em termos de valores, essa expansão representa para a indústria
gráfica algo em torno de 200 milhões de reais", afirma Mortara.
Já para o mercado de TVs no Brasil, não poderia haver oportunidade melhor que
a Copa do Mundo. Exemplo disso, é que algumas fabricantes agendaram o lançamento
de novos produtos para períodos próximos à Copa. A LG e a Samsung, por exemplo,
anunciaram o lançamento de seus aparelhos 3D para uma data entre o fim de maio e
o início deste mês de junho, antes da Copa.
Segundo um levantamento do Instituto Fecomércio, divulgado pelo Correio
Braziliense, os aparelhos de TV devem ser o segundo artigo mais vendido nesse
período de Copa, ficando atrás, apenas, das camisas da Seleção Brasileira.
Bares, restaurantes e emprego temporário
O presidente executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes –
Abrasel, Paulo Solmucci Júnior, afirma que o movimento no setor deve ser outro
beneficiado pela Copa, com um aumento em cerca de 30%, na comparação com o mesmo
período do ano passado, e lembra que nos estabelecimentos cujo fluxo é menor, o
crescimento pode ser de até 50%.
A alta na demanda deve levar 1/3 dos bares e restaurantes a aumentar em 20% o
número de funcionários no período da Copa, segundo Solmucci. Em todo o país, a
previsão é de que sejam criados 400 mil postos de emprego temporário, dos quais,
segundo o presidente da Abrasel, boa parte poderia se tornar efetiva. "É uma
pena que o Brasil tenha uma legislação trabalhista tão ultrapassada. Com isso,
infelizmente, esses trabalhadores acabam não sendo aproveitados logo após os
jogos terminarem. Se o trabalho de horistas tivesse uma regulamentação mais
clara, certamente esses profissionais teriam postos de trabalho garantidos",
afirma Solmucci.